31.12.10

Ano Novo - Ferreira Gullar


Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).




















Sou professora há 21 anos e sei que minha profissão é privilegiada porque lida com uma dupla construção em cada ser humano: a construção intelectual e a construção das mais variadas formas de expressão. Neste ano de 2010, no nosso querido Colégio Pedro II, mais uma vez esse processo aconteceu.

Além do trabalho em sala de aula, muitos projetos foram desenvolvidos e muitos alunos participaram desses eventos de forma tão dedicada que frequentemente eu me emocionava e agradecia por ter uma profissão tão especial, ser professora de um colégio tão especial e ter alunos tão especiais.
Projetos como o Varal Poético, o Paralelo Transversado, os encontros do Palavra em Liberdade, a confecção de cartazes sobre a conscientização acerca da questão animal, o blog, dentre outros, foram sugeridos por mim, mas foram os alunos que construíram, desenharam, escreveram, declamaram e, principalmente, tingiram tudo isso com as cores da alegria.

Quero agradecer a vocês por toda essa dedicação, pois nada foi feito por obrigação, ou "para nota" (rs). Tenho certeza de que levarão para a vida toda esse amor pela arte, pelo trabalho em equipe, esse respeito ao outro, às diferenças e, sobretudo, essa vontade de CONSTRUIR.

Desejo a todos um 2011 repleto de realizações, paz e felicidade. E para quem quiser, um 2011 ICONOCLASTA!!!!!!!!!!!!!!! (rs)

Beijos
Bia Petri


30.12.10

Texto escrito pela Isadora Bersot (turma 2202)


Fim de ano chegando, lojas tendo lucros altíssimos, pessoas comprando presentes, movimento nas ruas.
O novo ano traz uma idéia de vida nova, de renovação interior. As pessoas fazem promessas, planos pretendem ser mais felizes, ter mais sucesso, mais isso ou aquilo. O que não entendo é que fazem sempre as mesmas promessas e nunca as cumprem. Sinceramente, pra que esperar por um novo ano se temos a oportunidade de sermos felizes todos os dias?
Embora queiramos ser mais felizes, a vida também é feita de momentos ruins,
fases difíceis, e não é porque um novo ano começa que os problemas vão ficar no ano velho, ter fim ou não acontecer mais.
A vantagem é que com essas situações que passamos aprendemos, amadurecemos e crescemos.
Nos preparamos para um novo começo de ano com grandes expectativas de grandes realizações,
mas nem sempre elas acontecem. O que fazer? Não desistir. Cada dia é novo, e merece toda nossa dedicação
pra todos os dias serem os melhores das nossas vidas!

"Este ano, quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar

Nossos passos pelo chão
Vão ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer"

29.12.10



"Mary e Max" , do diretor Adam Elliot, é um filme imperdível por várias razões, e cada espectador vai listar as suas.

Para mim é um filme único porque não promete falsa felicidade, fórmulas mágicas, nem reviravoltas inverossímeis, não é cor de rosa, nem açucarado e os personagens não tentam resolver suas questões existenciais numa epifania no shopping center. Porque mostra como somos feitos de uma matéria tão íntima, e ao mesmo tempo desconhecida e intangível, que mistura defeitos e qualidades, e o nome dessa matéria é "ser humano". Também porque mostra a delicadeza buscando formas de construir caminhos e como esses caminhos, às vezes, são inexequíveis. Às vezes, não.


Um filme lindo e ao mesmo tempo aterrador, que certamente não combina com a felicidade prometida pelos fogos de Ano Novo.

Mas quem disse que só existe um tipo de felicidade?


Bia Petri

Veja o site do filme aqui.

28.12.10

Texto escrito pelo Rock (turma 1203)

Boa noite, Silvia!

Vou contar minha rápida história.
Eu estava às 16h de hoje (17 de dezembro) jogando video game (futebol, para ser exato, embora não importe) e pensei nesta frase : "Não posso dizer que te amo.". Fiquei um pouco pensativo com esta frase e pensei porque (desculpe, nunca lembro qual "porqueres" colocar) isto estava na minha cabeça, depois pensei em escrever sobre isso. Aí liguei meu computador e escrevi. Tem como você me dizer se está bom e se puder, dar alguma dica de como melhorar? Há um verbo ou outro que não sei se está corretamente empregado ou se realmente deveria estar lá e não sei se necessita de um final ou se o que existe está bom.
Adoro escrever sobre temas românticos, só escrevo aceitavelmente quando o tema é este.
Aqui está o texto.
Ah... tem como encaminhar para a professora Bia? Não tenho o e-mail dela e queria enviar para as duas.


"Depois de tanto tempo não posso mais dizer que te amo, não há definição para exata para o amor, todos sabemos disso, mas sempre sabemos por nós mesmos o bem que nos traz e que faz com que desejemos ter estas vontades gostosas e sempre ter este sentimento em nossas vidas. O sentimento de amor alegra nossas almas, nos traz um bem-estar grande e, consequentemente, torna o mundo em que vivemos muito melhor, faz com que as pessoas esqueçam tudo em volta, mesmo que no mundo só haja desgraças ou tristezas, sentimentos bons conseguem arrancar sorrisos até da pessoa mais triste ou má.

É bom saber que neste mundo existe sempre alguém que possa nos dar tais sentimentos, pois todo homem necessita de afeto para sobreviver, não é algo que devemos buscar incessantemente, mas é algo que devemos aproveitar quando nos é dado e não esperar reciprocidade. Dar carinho e esperar o mesmo de volta é um ato de egoísmo e não dará a real beleza do amor. Tento demonstrar somente o que o amor me faz sentir, é de minha natureza expor sentimentos. Há pessoas que sentem-se bem somente em dar afeto, outras gostam de receber. Dar carinho faz bem à minha alma, não espero receber nada em troca, mas confesso que necessito disso para ficar em paz.

Não posso mais dizer que te amo, na verdade é mais que isso, mas não sei o que é o amor e o que ele ou isto realmente significa. Mas amar pode ser o simples fato de gostar de alguém de um modo diferente, maior. Ou amar pode ser algo que você não entende o que é, mas sabe que o sentimento existe e você não quer mais largar este fogo que arde em teu seio, esta explosão que corre por teu corpo e te faz almejar que este sentimento te siga por toda sua vida.

Todas as aspirações e sentimentos que o homem sente tentaram ser traduzidas para a frase "eu te amo". "Te amo" é um modo simples e belo de demonstrar o belo afeto que há entre as pessoas, mas o homem não conseguiu demonstrar sentimentos tão belos com poucas palavras, amar não deve ser definido, pois "Quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando." (Roberto Freire).

26.12.10


Uma homenagem aos formandos de 2010 do Colégio Pedro II,
aos professores e funcionários.
"Um craque pode ganhar um jogo, mas somente a equipe vence o campeonato" Autor
desconhecido.
Obrigada!

Desenho e texto enviados pela Jessica Regina (turma 1311)

24.12.10

Foto Bia Petri


Feliz Natal!





Compras de Natal - Cecilia Meireles

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.

As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.

Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.

Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.

Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!

São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

Saiba mais sobre Cecília Meireles aqui.

23.12.10

Uma carta espremida - Hiran Matheus (turma 1303)

Conheça o blog do Hiran aqui.

Aos queridos amigos do CPII,

Agora no final do ano, vejo como é difícil me expressar. Minha mente está exaurida, mas por isso faço uma carta espremida: Estou torcendo minha mente para exorcizar aquilo que deve ser dito (Sim, uma foda mental). Não prometo fatos em ordem exata de acontecimento, mas farei o melhor possível para ser claro.

2010, a nova década começou com um teste para fase adulta, o vestibular (Não poderia começar com outra coisa). Quanta dor de cabeça, quanto desespero, quanta ansiedade! O vestibular nos prepara para o mundo adulto de hoje, um mundo competitivo e selvagem. A cabeça do vestibulando é projetada para a disputa e poucos param para pensar “Por que temos que disputar? Não deveríamos todos ter acesso a um bom curso superior?”.

AI! Minha cabeça lateja ao pensar nesse modelo de acesso. Mas vamos às coisas boas que o vestibular me proporcionou. Basicamente não teve coisas boas, mas uma consequência boa de uma coisa ruim. Com o arrastar do tempo (que lentidão), pude viver intensamente meu último ano no Colégio Pedro II. Quantas experiências maravilhosas... É tão difícil me lembrar de todas sem parecer caótico. Antes de tudo queria agradecer especialmente dois professores:

Alex: Por me mostrar um maravilhoso mundo novo (o do cinema) e por todos os seus ensinamentos e filosofias libertárias. Um grande mestre para se levar uma grande lembrança de um grande homem. Quando estiver fazendo meu discurso em Cannes te citarei prioritariamente (hahahaha).

Bia: Por me mostrar a importância de nos expressarmos nos dias de hoje e que a maior arma de um homem é a palavra. Obrigado, por manter essa chama comunicativa em mim durante esse ano de chuva pesada.

Grandes amigos, se eu fosse falar tudo o que eu tenho para falar de cada amigo que trilhou comigo esse ano, eu nunca terminaria esse texto (e esse seria ainda mais confuso e caótico). Mas amigo: Obrigado pelo amor incondicional, obrigado pela sua existência. Obrigado pela conexão de olhares (que é rara). Não nos veremos com frequência, ou (para alguns) nem nos veremos mais. Mas a essência de cada um de vocês seguirá comigo. Temos tantas loucuras para aprontar pelo mundo, tanta coisa para desconstruir e antidicotomizar (hahaha).

Um grande personagem desses anos foi o CIEP. Grande e imponente para quem lá vive, velho e amedrontador para quem passa. Sentirei falta da cantina (onde um mundo de sorrisos e de trufas nos esperava), das amoras arrancadas (que tingiam meu uniforme), dos gritos fascistas pelo Bayer (hahaha), dos aniversários (que aconteciam todos os dias), dos recreios (que rendiam conversas produtivas), dos aprofundamentos que prestei atenção na aula (foram bem úteis no vestibular) e dos aprofundamentos que não prestei atenção na aula (mas que foram muito úteis também, hahaha). E esse gigante de cimento só pode estar vivo graças (mais uma vez) aos meus amigos (não tem como fugir deles).

Queria agradecer aos meus pais, que aguentaram firme essa tempestade comigo e seguraram firme na minha mão. Agradeço, por acreditarem em mim. Eu também acredito em vocês.

Eu era uma pessoa muito insegura (e ainda sou), mas aprendi a fingir que sou uma pessoa cheia de convicção. Aprendi a ter paciência e a aceitar o novo e o diferente. Aprendi a valorizar o ser humano, pela sua simples humanidade que pode estar latente ou não. Aprendi a amar o ser humano e amar ser humano. Deixo aqui registrado meu amor pelo progresso e minha vontade de desmascarar essa “ordem”.

Até agora não tinha conseguido me expressar verdadeiramente (embora também não tenha me comunicado totalmente, já que a comunicação é uma ilusão humana). Não falei nada aos que amo, mas por pura falta de fôlego. Por essa carta, quero mostrar como amo todos os que passaram na minha vida e convidar todos esses para essa nova fase. A comunicação pode ser uma ilusão, mas o entendimento é possível. E com o final mais cliché possível, eu deixo uma frase do filme “The Rocky Horror Picture Show”, que diz muito do que eu desejo a vocês nessa nova era. “Não sonhem: Sejam!

O que você vê é o que existe?


O que realmente importa - Isadora Bersot (turma 2202)

Mesmo nos dias de hoje, vendo tudo o que acontece no mundo, ainda consigo me surpreender com as pessoas. É impressionante como, pelo simples fato de uma pessoa surgir na mídia, outras se tornam suas discípulas, dizem que morreriam por isso e o artista nem sabe de suas existências.

Ano após ano, descobrem-se novos astros, e a mídia nos influencia a pensar que devemos segui-los cegamente, sem nada a questionar.

Será que realmente devemos as tornar exemplos só porque vestem uma roupa diferente ou usam um penteado legal? Será que vão trazer algo realmente útil para nós além de simples entretenimento?

Temos idolatrado pessoas que nunca fizeram nada por nós. Idolatramos aqueles que se drogam, que são violentos e que não dão exemplo nenhum de moral ou de responsabilidade. Assim como nós, são seres humanos e não são imunes ao erro, mas temos que saber escolher. Temos levado para nossas vidas pessoas sem nada de bom pra oferecer, e mesmo sabendo disso, o fazemos.

A maioria das pessoas do século XXI tem sido influenciada por modinhas baratas, pelo que pessoas ditas “de prestígio” pensam e dizem sem ao menos filtrar aquilo que chega até elas. Nesse século está tudo muito fácil, as informações chegam até nós com mais velocidade e, pela comodidade do nosso tempo, a maioria de nós acaba aceitando as informações sem questionar se são realmente úteis.

Pode não parecer, mas ainda existem pessoas boas. Pessoas que têm uma história de vida, algumas vezes até triste, mas que não se abateram por isso e continuam lutando por um país, um mundo melhor. Pessoas que ajudam com o pouco que possuem, que têm como objetivo fazer o bem, que se importam com a felicidade de outros. Essas, sim, merecem nosso respeito, nossa compaixão, porque elas fazem algo realmente útil para nós, para nossas vidas, mesmo sem sabermos disso. Precisamos parar de pensar que para sermos aceitos temos que gostar do que todo mundo gosta, do que todo mundo ouve, ou fazer tudo que todo mundo faz.

A nossa individualidade é o que nos tornas pessoas diferentes umas das outras, com valores e opiniões que precisam ser respeitadas acima de tudo e muita gente tem perdido esse direito se é que assim posso dizer, para se igualar, para ser aceito. O que nos torna quem somos é a nossa essência, o nosso eu.

Pense. O quê você tem feito e como você tem agido? Se for porque alguém te influenciou a fazê-lo, pense se você realmente concorda com isso. Se concordar tudo bem, continue fazendo, mas não se esqueça das consequências. Se não, reveja seus princípios e vá em busca do que realmente te deixa e te faz feliz.

Escrevemos aquilo que pensamos sobre aquilo em que acreditamos.

22.12.10










Almoço de fim de ano.

Texto escrito pela Bárbara Jesus (turma 1309)

A cada vez que me pergunto “que dia é hoje?” ,fico ainda mais entusiasmada, ansiosa e, também, preocupada. Resultados virão... Nossas vidas se transformarão de um ano para o outro. 2010... Que ano corrido, que ano cansativo, que ano intenso!

Em alguns momentos, confesso, quis dormir e acordar somente quando a maratona de estudos estivesse finalizada e bem sucedida, claro. Tentei me livrar das obrigações abraçando-as mais fortemente... Não sou de fazer as coisas de qualquer jeito, não mesmo. Por isso, eu e os adeptos da minha filosofia nos cansamos tanto este ano! Hoje, quando tudo isso está perto de chegar ao fim, penso que valeu a pena cada segundo sofrido passado nas aulas lotadas e quentíssimas de aprofundamento. Não me refiro somente aos possíveis bons resultados que a maioria de nós alcançará, mas às pessoas com as quais pude conviver e conhecer melhor, aos professores que não lecionariam mais para nós se não fosse essa oportunidade.

Sinto-me feliz por ter feito tudo como meus princípios me mandaram fazer. Dever cumprido! É bom demais estar de bem consigo mesmo. Arrependimentos? Alguns... Mas nenhum acontecimento trágico ou irreparável. Aprendemos mais do que se espera aprender em um colégio, isso não tem preço.

Meus amigos e minhas amigas, bravíssimos companheiros de segunda a sábado., jamais nos esqueceremos das piadas mais patéticas, dos trabalhos mais incríveis e dos abraços mais sinceros. Magoamos e perdoamos uns aos outros algumas vezes... E estamos fortes e já nostálgicos.

Desejo profundamente que os laços criados nunca sejam desfeitos. E que eu possa, um dia, contar alegremente aos meus filhos e aos meus netos que estudei com “brasileiros de um enorme e subido valor”. Orgulho-me por ter compartilhado tantas experiências e por ter crescido com pessoas tão capazes, ímpares!

20.12.10



Enviado pelo José Guilherme (turma 1309)


No próximo dia 20 de dezembro, mais uma turma de 3° ano se forma no CPII Niterói. Foi um longo caminho até chegar aqui e com certeza a ajuda e o esforço de todos foi imprescindível. Exatamente para agradecer a Deus por esse período que passamos juntos, alguns alunos organizaram um Culto de Glorificação, que acontecerá na Igreja Cristã Maranata, no Centro de Niterói (Rua Gal. Andrade Neves, 108, atrás do plaza), às 20 horas do dia 21 de dezembro de 2010 (terça-feira). Este convite é para todos. O intuito foi organizar a data do culto e convidar toda a comunidade escolar que fez parte deste momento junto conosco, sejam alunos, professores, funcionários, parentes, etc... Conto com sua presença!

Estou à disposição para qualquer dúvida/esclarecimento.

Atenciosamente,
José Guilherme T. Monteiro


Parabéns aos formandos!


13.12.10

Enviado pela Anna Figueiredo (turma 1311)

Sabe o Natal, aquela época do ano especial em que nos reunimos com a família e trocamos presentes?

Pois bem, imagina como seria o seu Natal daqui a alguns dias se, em abril desse ano, você tivesse perdido a sua casa e sido afastado de amigos, vizinhos, familiares e outros entes queridos que vieram a falecer. Parece apelativo, mas é a situação de vários niteroienses, residindo em abrigos e sem uma perspectiva nítida de como mudar sua situação.

Por isso, nós, alunos do Pedro II de Niterói, em parceria com as Pastorais da Juventude, o grupo Fé e Cidadania, comunidades evangélicas e o DCE da UFF, dentre outros, temos em nossas mãos o objetivo de realizar o Natal Solidário dos Desabrigados de Niterói. Haverá uma celebração ecumênica, no abrigo do Barreto, às 18 do dia 23 de Dezembro. Como essa celebração ocorrerá? Bem, como um bom Natal deve ser: ceia e troca de presentes. Para isso, contamos com as doações: primeiramente, comida e bebida para a partilha da ceia. Não pedimos nada de extravagante, apenas uma pequena contribuição, uma vez que a comida será servida para todos que se fizerem presentes. Em segundo, teremos a troca de presentes, então se fazem necessários brinquedos, material escolar, livros, fraldas e roupas em bom estado, principalmente para crianças até 5 anos (faixa etária em que há maior carência). São (nos dois principais abrigos) aproximadamente 800 abrigados, cerca de 400 crianças. A mínima contribuição se faz bem-vinda.

Mas, além das doações e mais do que as doações, esse e-mail é um convite para que vocês se envolvam nessa atividade; de coração, mesmo. Pensem um pouco menos em vestibulares e notas, já pararam para imaginar que nada disso estaria preocupando vocês agora se fossem vítimas também? Não podemos ser indiferentes.

Participem, por favor!

Podemos recolher doações na escola ou irmos buscar em algum lugar.
Entrem em contato. (9933-9819)

12.12.10

Texto escrito pelo biólogo Luiz Felipe Lima da Silveira,
meu ex-aluno.


Semiologia e a metáfora do desenvolvimento

Certa vez, comentei com uma professora que ceu cnsiderava Adolf Hitler uma pessoa "muito inteligente". Obviamente, na minha cabeça eu associei inteligência com empreendedorismo, capacidade de persuasão, eloqüência, dentre outras características associadas a uma capacidade raciocínio notável. Entretanto, fui repreendido pela professora, que aproveitou a deixa para me introduzir ao conceito de semiologia – o estudo dos sinais. Ela me ensinou que as palavras carregavam consigo um sentido, cuja interpretação era fortemente dependente da visão de mundo do tanto do emissor, quanto do interlocutor. Sendo assim, naquele momento, um transeunte que interpretasse "inteligência" como algo bom, poderia achar que eu estava a esmerar o líder nazista que coordenou o holocausto, um evento histórico que dispensa maiores apresentações. A partir daquele momento, passei a temer o poder das palavras. E uma das palavras cujo emprego mais tem me preocupado é “desenvolvimento”, uma metáfora amplamente empregada em sociologia e biologia. Tentarei me ater apenas à questão social.

Desde os “Estudos Sociais” na escola, aprendemos que os países são divididos segundo seu desenvolvimento. Assim, existem países mais desenvolvidos que outros: os desenvolvidos e os subdesenvolvidos. Até que um dia, aprendemos em Geografia que essas divisões eram pejorativas para os países subdesenvolvidos, que deveriam ser chamados, mais apropriadamente, países “em desenvolvimento”. Quantos de nós, àquela época, podiam se perguntar o que, de fato, era desenvolvimento? Desenvolvimento ("desarollo", em espanhol; "development", em inglês) remete a algo que está enovelado, enrolado, assim como um novelo de lã, por exemplo. "Development "é a mesma palavra usada, em inglês, no processo de revelação das fotos – a imagem já está lá, só precisa dos banhos químicos na ordem correta. Por trás dessa lógica, existe um juízo de valor bastante claro: um gradiente de qualidade social, no qual existem países melhores, e outros piores. O interessante é notar que, segundo essa visão, apesar de piores, estes países estão rumo à melhora – i. e. estão “em desenvolvimento”. Esse foi o mesmo juízo usado pelos colonizadores ibéricos ao se deparar com a complexidade tecnológica dos índios – verdadeiros "selvagens" que precisavam ser “civilizados”.

A cultura de um povo, pode ser definida, grosso modo, como um conjunto de sinais com sentidos comuns a um dado grupo social. Cultura não é algo mensurável qualitativa ou quantitativamente, mas sim o fruto da história de um povo e de sua interação com o ambiente. Admitir que uma cultura seja melhor ou pior que a outra é, infelizmente, inerente à maioria das culturas averiguadas até hoje – o chamado etnocentrismo. O etnocentrismo ficou bastante conhecido pelos seus casos extremos: o holocausto, o massacre dos povos pan-americanos nativos, dentre outros, e é motivo de muitas histórias famosas (O Último Samurai, Pocahontas, etc.). Porém, ele está presente no nosso cotidiano nas nossas brigas entre times, bairrismos, brigas entre colégios, bullyings, dentre outros. Em uma escala macroscópica, esse fenômeno se reflete também na forma como julgamos um país – mais ou menos civilizado. Esquecemos, contudo, de avaliar a história da formação da cultura de cada país. Ter a complexidade tecnológica dos países chamados de primeiro mundo foi a causa e também a conseqüência da super-exploração dos recursos naturais – não só destes países, mas do mundo como um todo. Assim, se todos os países desejassem ser “de primeiro mundo”, seriam necessários muitos outros planetas (semelhantes ao Planeta Terra) a serem explorados. Uma forma de lutar contra o etnocentrismo seria abandonar a noção de complexidade tecnológica e abundância de riquezas como algo idôneo e desejável a qualquer custo, adotando, em vez disso, a idéia de cidadão inserido no meio de outras culturas que precisam dividir um mesmo mundo – finito em recursos.

Precisamos refletir se, de fato, a metáfora do desenvolvimento é adequada. Compreender que esta forma de ver o mundo é importada dos países ditos “desenvolvidos”, e que pode ser explicada pelo etnocentrismo é um primeiro passo para uma reflexão mais profunda. Será que este é o modelo de desenvolvimento que queremos, ou que devemos nos basear? Em vez de, numa concepção reducionista, qualificar culturas como melhores ou piores, acredito devemos buscar compreender as diferentes histórias e os símbolos dos povos – e sua relação com o ambiente - de uma maneira mais íntegra, contribuindo para um convívio mais tolerante, justo e pacífico.


Conheça o blog do Luiz Felipe aqui.



Anuk (Jessica Regina, turma 1311)

11.12.10


Clique na imagem para ampliá-la.

Enviado por Marília Andrade (ex-aluna)

Encontro Museus do Rio de Janeiro
Ocorrerá nos dias 14, 15 e 16 de Dezembro,
no Museu Histórico Nacional.

6.12.10

Vídeo interessante e intrigante enviado por minha amiga e também professora do CP2, Mariana Thiengo
(Conheça o blog da Mariana aqui)

5.12.10




Rua do Lavradio, Rio
Fotos Bia Petri

Dúvidas - Isadora Bersot (turma 2202)


Nascer, crescer e morrer? Quem afirma?

Quantas crianças não crescem e já morrem?

E quantas outras nem nascem?

Reclamar por pouco? O que é muito pra você?

O que é a vida pra você? Ainda é capaz de sorrir?

A vida parece triste? Justiça? Onde fica?

Amor? Ainda existe? Dinheiro é tudo?

O que vale a pena? Você prefere noite?

Será que um dia todas essas perguntas serão respondidas?

Quanto tempo ainda falta, ainda resta?

É só o começo ou será que acabou?

Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Esse enigmático ciclo da vida.

Se responder alguma, avisa.

4.12.10


Escrito pela professora Sílvia Barros

Chuvas de 2010, nós não nos esquecemos


Muitas vítimas dos desabamentos que aconteceram no início do ano ainda estão alojadas em péssimas condições. Eles precisam muito de água, produtos de higiene pessoal e doméstica, fraldas e leite em pó. Os adultos precisam de roupas em bom estado para saírem em busca de emprego. As crianças ficam muito ociosas e não têm brinquedos.

Como estamos nessa época de presentes, pensamos em fazer uma campanha para arrecadação de brinquedos para essas crianças. Certamente isso as alegrará muito. Mas é importante também que doemos produtos de higiene, fraldas e leite. As doações podem ser levadas para a Uned Niterói e, para quem morar no bairro Fonseca e achar melhor, pode entrar em contato e levar no Condomínio Solar do Barão. Quem quiser se informar melhor entre em contato pelo email: prof_silviabarros@yahoo.com.br.

O que doar:

Brinquedos

Fraldas

Leite em pó

Material de higiene

Roupas

2.12.10

Hoje é Dia do Samba

Depois de Bach e Beatles, o samba é algo que realmente se aproxima da perfeição.
ADORO samba e hoje só não pego o Trem do Samba (aqui e aqui) porque estou escrevendo um capítulo da tese para entregar na segunda-feira. Mas ano que vem prometo que vou!!!
Em homenagem a este dia tão importante, posto aqui um dos meus sambas preferidos, na voz da eterna Clara Nunes!
Espero que vocês gostem!




Portela na avenida

Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Portela
eu nunca vi coisa mais bela
quando ela pisa a passarela
e vai entrando na avenida
parece
a maravilha de aquarela que surgiu
o manto azul da padroeira do Brasil
Nossa Senhora Aparecida
que vai se arrastando
e o povo na rua cantando
é feito uma reza, um ritual
é a procissão do samba abençoando
a festa do divino carnaval

Portela
é a deusa do samba, o passado revela
e tem a velha guarda como sentinela
e é por isso que eu ouço essa voz que me chama
Portela
sobre a tua bandeira, esse divino manto
tua águia altaneira é o espírito santo
no templo do samba

as pastoras e os pastores
vêm chegando da cidade, da favela
para defender as tuas cores
como fiéis na santa missa da capela

salve o samba, salve a santa, salve ela
salve o manto azul e branco da portela
desfilando triunfal sobre o altar do carnaval

Reparem como a letra é belíssima, estabelecendo uma comparação entre a religiosidade de uma procissão e o desfile da Portela, e como esses dois eventos se unem pela beleza, pelas cores - azul e branco em ambos os casos - e pela fé/empenho dos participantes.
Assim, o carnaval passa de festa pagã a "divino carnaval", evidenciando que, na verdade, não são acontecimentos antagônicos, pois são criados com dedicação e esmero e refletem legitimamente as crenças populares.

É uma dialética cuja síntese representa o amor pelo samba e pela religião.
LINDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bia Petri